segunda-feira, 5 de março de 2018

Educação Sexual na Gravidez

Os cursos sobre Educação Sexual na Gestação têm mostrado que o casal pode se beneficiar de conhecimentos sobre o assunto para melhorar sua qualidade de vida sexual durante a gravidez.
Esclarecimento de mitos, informações sobre as alterações da função sexual feminina e posições sexuais mais confortáveis no período podem impactar de forma significativa a melhora da qualidade de vida sexual do casal.

Daí, a importância de se organizar cursos em ambulatórios e consultórios de pré-natal. É sempre aconselhável que o casal esteja presente, mas caso isso não seja possível, a mulher pode levar informações até o companheiro.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Atividade sexual na gravidez e após a chegada do bebê. E agora, tudo mudou?




Fonte: Portal EscolhaD
Por Fabi Letto

Não há regra definitiva para o ato e a atividade sexual do casal, no período de preparação e chegada de uma nova vida na família. Para enfrentar esse período da forma mais saudável possível, é preciso ter consciência de que constantes novidades e descobertas irão acontecer. Paciência e a certeza de que se trata de uma fase que vai passar, ajudam muito. É o que afirma a especialista em sexualidade humana e terapeuta familiar e de casal, a Dra. Meireluci Costa Ribeiro.

A Dra. Meireluci traça um panorama sobre o impacto da gravidez, do parto e da amamentação na vida sexual do casal, e dá dicas para a retomada da rotina sexual após o parto.

Afinal, a atividade sexual deve ser interrompida durante a gestação?

Não, a atividade sexual de um casal, durante a gestação, é perfeitamente normal e importante. Serve para reforçar os laços de intimidade do casal em um momento especial e novo representado pela chegada de um bebê.

Caso exista algum problema com a gestação, o obstetra pode determinar restrições as atividades sexuais do casal. É interessante diferenciar ato sexual e atividade sexual. A atividade sexual consistente em beijos e carícias, podendo continuar sem nenhuma restrição. Por outro lado, o ato sexual propriamente dito, ou seja, aquele que envolve penetração, pode ser evitado por recomendação médica, em alguns casos como, por exemplo, no de placenta prévia. Mas, de modo geral, tanto o ato quanto a atividade sexual podem prosseguir normalmente até o final da gestação.

Existem períodos da gestação em que as mulheres estão mais ou menos propensas a ter relações com o parceiro?

Sim, isso acontece devido às mudanças que a gestação provoca no corpo e no estado emocional da mulher.

No 1º trimestre de gestação (até a 13ª semana). São muitas as mudanças. Normalmente, a mulher tem muito sono, náuseas, indisposição, quer dormir o tempo todo e o casal tem medo de prejudicar o bebê. É possível que ela ainda tenha cólicas e as mamas estejam bem doloridas. As pesquisas mostram que, nesse período, há diminuição do desejo sexual da mulher a da frequência de coitos. Mas, sempre existem exceções. Há mulheres que têm a libido aumentada ou, ainda, as que não percebem diferença na libido. 


No 2º trimestre de gestação (14ª até a 27ª semana). Tudo se estabiliza. A sensibilidade das mamas e as cólicas diminuíram. O medo de prejudicar o feto, os enjoos e o sono demasiado já passaram. Pesquisas demonstraram que esse é um bom período para se namorar. A mulher está mais sensível, sente mais prazer. A libido aumenta.

No 3º trimestre de gestação (28ª semana em diante). Tudo começa a ficar complicado novamente. O cansaço e o volume do abdômen aumentam. Se estiver no verão, a mulher se sente ainda mais indisposta. Além disso, ela está emocionalmente ansiosa, por conta da proximidade do parto. As preocupações estão voltadas para a chegada do bebê. A libido e a frequência de relações sexuais tendem a diminuir.

Quanto tempo leva para voltar à vida sexual após o parto?

Normalmente são indicados 45 dias para que a mulher retome sua vida sexual, independentemente do tipo de parto (normal, cesárea ou fórceps). Porque esse é o período que o organismo da mulher leva para cicatrizar, voltar ao normal e se recuperar. Mas, mais uma vez, é o médico quem vai liberar o retorno.

Retomar à normalidade da vida sexual pode ter alguns complicadores. Conheça os principais:


  • Estresse da mãe. No início, o bebê pode mamar de três em três horas e, muitas vezes, trocar o dia pela noite. Então, a mãe não dorme, está cansada. Há a mudança hormonal, após o parto. Isso causa estresse, cansaço e muitas vezes, quando sobra um tempinho, a mãe precisa dormir.

  • Dores.. Se o médico liberou o retorno, em tese, estaria tudo tranquilo. Porém, a mulher pode sentir dores provocadas pelo medo. Há também os casos de episiotomia (corte pequeno feito no parto normal para facilitar a saída do bebê), que podem provocar dores. Nesses casos, a região está mais sensível e o receio da mulher é maior. Então, o recomendado é agir com calma e ir muito devagar.

  • Prolactina. Este hormônio, que é liberado quando a mulher amamenta, dificulta sua lubrificação vaginal causando um certo incômodo. Então, indica-se nesse período o uso de lubrificante à base de água.

  • O medo de dor é normal. Na verdade, a região genital feminina fica tão sensível após o parto, que existem casais que dizem que é como se fosse, novamente, a primeira vez.

  • Falta de apetite sexual. Acontece em decorrência de todos os fatores já mencionados, mas principalmente, pelo cansaço da mulher.

  • A retomada deve ser tranquila. Como já se passaram os 45 dias, vamos voltar à atividade sexual? Sim, mas com muita calma e tranquilidade. A retomada tem que ser lenta, pois a mucosa vaginal da mulher, por conta da amamentação, está sensível. Então, a relação sexual tem que ser feita bem devagar.


Dicas para a retomada da vida a dois:

. Uso de lubrificantes. Use lubrificantes à base de água podem ser utilizados sem contraindicação, tanto pela gestante quanto pela mulher que está amamentando.

. Não se compare com outras mulheres ou outros casais. Cada mulher e cada casal tem um ritmo diferente, assim como, há bebês que dormem mais tranquilamente do que outros, e tudo isso pode afetar a retomada da vida a dois. Estudos mostram que a retomada depois do parto pode chegar até a seis meses. É preciso, portanto, ter em mente de que se trata de um momento diferente da vida, mas que essa fase vai passar e tudo voltará à normalidade.

. Tenha paciência. Não se cobre sobre por um eventual comportamento idealizado. Retornar logo à vida sexual, ter desejo de transar de novo. Tudo deve acontecer com calma.

. Estimule seu desejo. Procure ter um tempo a sós com o companheiro e escolha alguma atividade que estimule sua libido, como, por exemplo, lendo um texto ou assistindo um filme com conteúdo sensual/erótico, assistindo, fazendo uma massagem ou simplesmente tendo uma conversa íntima..

. Procure ajuda. Se a situação estiver complicada, procure a ajuda de um especialista em sexualidade que poderá orientar nesse processo de transição.

Para saber mais, consulte seu médico e um especialista sobre sexualidade.

Meireluci Costa Ribeiro é Doutora em Ciências pelo Departamento de Obstetrícia da Unifesp, especialista em sexualidade humana e terapeuta familiar e de casal.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Crenças sobre a atividade sexual na gestação

É com prazer que divido com vocês o resultado deste trabalho de pesquisa.
Nosso objetivo foi apresentar um panorama mundial das crenças sobre a atividade sexual presentes na gestação. 
"Relacionar-se sexualmente com a esposa quando ela está grávida de uma menina é adultério?"
"Sexo na gestação pode causar parto prematuro?"
"O contato com o esperma pode provocar cegueira no feto?"
Pois é, esses e outros achados estão em nosso artigo. Publicado recentemente em importante periódico internacional: Journal of Sex and Marital Therapy.
No link abaixo, vocês terão acesso ao artigo. 



domingo, 19 de março de 2017

Sexualidade na Gestação e Puerpério

Ontem foi dia de encontrar gestantes, mamães e futuros papais, no SESC Bom Retiro, para trocar ideias e desfazer mitos sobre a sexualidade na gestação e no puerpério.
Ótima iniciativa!!
Vou então, citar algumas perguntas que surgiram durante o encontro, e esclarecê-las. Espero que possa ajudar a quem não pôde estar presente.
E, em breve, teremos outro encontro lá mesmo.


1 - Minha namorada disse que quando ela engravidar, não faremos mais sexo... pois o bebê estará lá... Pode fazer sexo na gestação?
Sim, pode fazer sexo na gravidez! Não há perigo de machucar o bebê e se a gravidez se desenvolver sem problemas, não há nenhuma contra-indicação. O casal passará por alterações nessa área, mas podem descobrir, juntos, novas alternativas para passarem por esse período com qualidade de vida sexual satisfatória. O desejo pode diminuir no início, mas tende a aumentar no segundo trimestre. O corpo feminino estará mais sensível para sentir prazer. No segundo trimestre, a lubrificação surge mais rapidamente e mais abundante, permanecendo assim até o final da gestação. Os orgasmos podem ser mais intensos. O período que vai da 14a até a 28a semana pode ser um momento sexualmente interessante para o casal!!! Já no terceiro trimestre, a disposição para a atividade sexual pode diminuir, mas não acontece com todas as mulheres. Com o aumento do tamanho do abdômen, novas posições sexuais podem ser utilizadas para maior conforto e prazer do casal. O importante é que o casal converse sempre sobre expectativas, experiências e desejos nessa fase tão importante na vida dos dois! Caso precisem de ajuda, um profissional especializado em Sexualidade Humana pode fornecer orientação e informação importantes!


2 - Há diferença entre fazer sexo quando o feto é feminino ou masculino? Eu tive mais libido quando esperava um menino....
Na verdade, não há influência na libido feminina associada ao sexo no bebê. A libido depende de vários fatores: físicos, emocionais, relacionais, sociais e religiosos. E as gestações decorrem de forma distinta numa mesma mulher. Pode ser que numa gestação, que foi planejada, o casal esteja num bom momento e a atividade sexual seja vivida de forma satisfatória. E pode ser que em outra gestação, que não foi planejada, por exemplo, o casal esteja enfrentando dificuldades financeiras, ou de relacionamento, ou de saúde... isso vai interferir na sexualidade do casal, mas não sofre influências do sexo do bebê. Por outro lado, existem mitos sobre isso, e o homem pode se sentir desconfortável de manter relações sexuais com parceira se o feto for masculino ou feminino... e a informação nesse caso pode ajudar. O bebê não sabe que a mãe está fazendo sexo e não entra em contato com o esperma, pois está protegido dentro do útero materno. Estudos mostram que quando o casal tem atividade sexual satisfatória, o vínculo entre o casal pode se fortalecer... a mãe se sente segura, o pai se sente querido e presente, e ambos têm mais condições emocionais para passarem tranquilamente pela gestação e cuidar do bebê, quando esse chegar.


3 - Ainda estou amamentando e não tenho desejo sexual, apesar de gostar muito do meu marido. E mesmo quando estamos nos relacionando sexualmente, não tenho lubrificação. Por que isso ocorre?
Durante a amamentação, um hormônio é liberado para a produção do leite: a prolactina. Esse hormônio pode inibir o desejo sexual de forma acentuada. No entanto, já se sabe que mesmo que a mulher pode iniciar uma atividade sexual mesmo sem desejo espontâneo, e que se for estimulada de maneira satisfatória, o desejo surge e ela pode aproveitar o momento de forma prazerosa. Sabemos também que existem atividades que podem estimular a libido e a intimidade entre o casal: massagens, filmes eróticos, livros com temática erótica, banhos, conversas. Vale investir nisso, ao invés de simplesmente ficar esperando que o desejo apareça. Quanto à dificuldade com a lubrificação, os lubrificantes a base de água podem ser utilizados. E é bom lembrar que esse é um período transitório, mas que o casal pode preservar sua intimidade e se programar para mais momentos juntos.

Espero que as informações sejam úteis para você! Se tiver outras dúvidas, escreva.
Até breve!

sábado, 31 de dezembro de 2016

Encerramento de Ciclos

Tenho a sensação de que ao encerrar ciclos, como o final de um ano, e antes de me projetar no próximo ciclo/ano, necessito observar, avaliar e agradecer a colheita do que está se encerrando.

Em 2016, tive a oportunidade de participar de várias atividades em ambiente acadêmico: confecção de posteres para Congressos Internacionais; redação de três artigos científicos (ufa!); aulas em cursos de especialização (Faculdade de Medicina da USP e do ABC; CEPPS); apresentação de pesquisa nos últimos 9 anos no Departamento de Obstetrícia da UNIFESP.

Tive o prazer de dar aulas para gestantes sobre sexualidade e qualidade de vida na Casa Moara, na Porto Seguro e em ambulatórios de pré-natal da UNIFESP.

Retomei minha atividade digital aqui no Blog e no site que está em construção.

Atendi muitas pessoas, famílias e casais em ambiente educacional/terapêutico de consultório, na UNIFESP ou por Skype (tem gente que está longe!).

Participei de trabalhos voluntários com pessoas dispostas a ajudar e fazer o melhor!

E para me manter com energia para tudo isso caprichei nas aulas de Teatro, Música, Canto, Natação, Leituras, Supervisões, Meditação, Florais e por aí vai.

Acredito mesmo que essa seja a beleza da vida: a TROCA! 

Recebi muito de muitos profissionais, professores, amigos, conhecidos, mães como eu, pessoas que reencontrei depois de um tempão e pessoas queridas que encontrei durante o ano!

Recebi mais ainda de todos aqueles que com novas disposições, projetos, compreensões e sorrisos puderam mostrar que eu contribuí!

E que em 2017 as trocas de amor, conhecimento, companheirismo, solidariedade e tudo o que precisarmos para crescer possam se multiplicar!!!

Um brinde e gratidão à colheita feita!!! Prosperidade à nova etapa que se inicia em breve!!!

Tim-tim! :)
Meire Ribeiro

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Sexualidade e atividade sexual na gestação - Casa Moara




No mês de outubro tive o prazer de  estar na Casa Moara, um espaço de convivência especialmente dedicado às mulheres grávidas e suas famílias. 

Foi uma aula onde pude mostrar os resultados de nossos trabalhos, na última década, com sexualidade de gestantes, realizados no Departamento de Obstetrícia da Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina (UNIFESP-EPM).

Além da parte teórica, os casais puderam perguntar e falar de suas experiências a respeito da sexualidade nesse período.

Contamos com a presença do Dr. Jorge Kuhn, Obstetra e Professor da UNIFESP para esclarecer dúvidas dos casais nas questões médicas.

Noite produtiva!
Gratidão!



sábado, 29 de outubro de 2016

Memória Corporal

Foto de Duda Oliveira
Modelo: Luli Costa
Desde a mais tenra idade, ou mesmo no interior do ventre materno, o ser humano vai experienciando em seu corpo sensações, podendo estas serem agradáveis, de satisfação de suas necessidades, ou desagradáveis,  de frustação.

O ritmo cardíaco de sua mãe, pode ser sentido através das vibrações do líquido aminiótico, bem como sua voz e sua respiração. Ao nascer, essa ligação simbiótica com a mãe ainda continua e seu corpo precisará do contato muito próximo com o corpo de sua mãe, quer seja para a satisfação de suas necessidades básicas através da amamentação e de sua higiene corporal, quer seja de sua necessidade de segurança e afeto.

Seus primeiros registros corporais vão se dando através desse contato maternal, onde uma mãe atenta e carinhosa pode reconhecer os mais sutis sinais de necessidades de seu filho. 
O corpo do bebê é carregado, lavado, embalado, cuidado e acarinhado e, tudo isso acompanhado quase sempre da melodia da voz de sua mãe, com conversas, confortos e canções de ninar.

É já nessa fase do desenvolvimento infantil que mãe e bebê se comunicam, através de sinais, de toques, de sons, ou seja, a comunicação se estabelece no nível das sensações, da percepção e da sintonia entre os dois. A comunicação é corporal, não sendo necessário o entendimento intelectual de palavras já que "comunicar é primeiro entrar em ressonância, vibrar em harmonia com o outro" (Anzieu, 2000:76).

Com seu crescimento e desenvolvimento, a criança deixa de "ser uma" com a mãe e estabelece seus limites no seu próprio corpo. Os limites são estabelecidos e a pele que antes era a "bolsa que contém e retém em seu interior o bom e o pleno aí armazenados com o aleitamento, os cuidados, o banho de palavras" (Anzieu, 2000:62), passa a ser o limite do que está no interior e o que está fora. A pele agora limita e protege contra as agressões externas para, num segundo momento, por ser o meio primário de comunicação com outros, estabelecer relações significantes.


Com a sensação de "possuir a própria pele", o ser humano segue relacionando-se consigo, com o mundo e com os outros. Seu contato com o mundo é registrado em sua pele, em seu corpo, seu ser, constituindo lentamente o universo de suas vivências. 

Fonte: O Eu-pele. Didier Anzieu; Trad. Zakie Yazigi, Rosali Mahfuz - São Paulo:Casa do Psicólogo, 2000. 2ª ed. 310p.